28/10/2013

SobRe RecoMeçAr


Bom, fico pensando se ainda vale a pena. Vale a pena acreditar? Confiar? Querer que dê certo?
É que já passei por tantas decepções que nem quero olhar pro lado.
Ainda tenho aquele medo de acreditar de novo na pessoa errada.
Parece que vejo um letreiro imenso piscando, em vermelho bem vivo: "apaixone-se e machuque-se".
Acreditei no pobre coitado, em gente gentil e carinhosa, acreditei em amantes ardentes e sempre disponíveis, acreditei em ex-amores que se fingiram de amigos.
Mas aí vem sempre uma rasteira, coração ralado e olhos vermelhos.
Acreditei tanto no errado que talvez esteja perdendo a oportunidade de crer no certo e bom. Será?
Mas quem disse que tenho coragem de arriscar?
Chega um tempo, pelo menos pra mim chegou, que a gente só pensa em viver em paz. Sozinha? Que seja. Ainda sou uma ótima companhia. Pra mim também.
E se não for pra ser bom, leve e feliz, não vale a pena.
Alguém que não dá sem que se peça, não tem a preocupação de cuidar, não para pra ouvir e nem lembra a cor dos meus olhos, não merece o meu sorriso, o som da minha voz ou o cheiro da minha pele.
Não, eu não estou sendo prepotente. Apenas aprendi a gostar de quem realmente vale a pena: eu.
E o medo ainda me ronda.
Talvez algum dia consiga acreditar de novo.
Talvez se conseguir ouvir a tal voz da intuição, como disse uma amiga: "nossa intuição sempre nos sussurra alguma coisa".
Bom, a minha deve estar falando em algum dialeto que não compreendo.
Ou pode estar apontada para um satélite perdido no espaço, sem conexão com a Terra.
Não sei bem qual o problema das pessoas.
Se estou com alguém, mas não está bom, simplesmente vou embora. Pra que trair, mentir, tornar tudo tão "novela mexicana"?
Ainda prefiro a verdade, o autêntico e o sincero.
Acho que isso assusta.
Ah! E ainda têm os golpistas, os psicopatas e os ciumentos doentios.
Sinto falta sim das trocas de olhares, dormir de conchinha, dos passeios de fim de tarde, das viagens de aventura, dos banhos demorados a dois, das conversas animadas no café da manhã...
E bem lá no fundo ainda sobrevive uma esperança de que ainda exista a pessoa boa ou a pessoa "certa".
E se chegar até mim, talvez tenha um pouco mais de trabalho.
Talvez precise me fazer acreditar de novo que vale a pena.
Ou talvez não.
Talvez eu aprenda a decifrar os sinais criptografados da tal intuição.
Ou talvez a intuição precise gritar e não apenas sussurrar.