O fim sem começo dói.
Não imaginava isso.
Dizem que quando se perde um membro do corpo, continua-se a sentir as sensações como se ainda estivesse ali. Comichão, coceira e até dor.
Não sei bem se há uma analogia nisso.
Mas o fim sem começo é como sentir o membro que ali nunca esteve, nunca fez parte do corpo.
E ainda assim falta. Dói. Coça.
É uma estranha sensação de nunca saber se esse membro seria útil, se funcionaria bem, se seria uma parte harmoniosa do corpo. Só sinto a sensação dele e falta.
O fim sem começo dói.
Já tentou ler o último capítulo de um livro sem nunca ter lido o livro inteiro? Clichê. Mas é um sentido parecido. Não faz sentido apenas.
Ou não existiu e mesmo assim fez sentido se tivesse lido o livro todo.
Nunca imaginei sentir essa tristeza, essa angústia de terminar o que nunca começou.
O fim sem começo dói.
É um natimorto. Não há conforto na ideia de que apenas criamos uma barreira protetora entre nós e o que estaria por vir.
Que poderia ser bom e acabar e provocar dor.
Ou que poderia simplesmente ser muito ruim e acabar e provocar dor do mesmo jeito.
O fim sem começo provoca o mesmo efeito. Dói.
E depois de colocar fim ao começo sem start, apenas estou buscando conforto nessa zona que se tornou apenas respirar.
Não há conforto nenhum em se afogar.