04/04/2017

O fim sem começo dói.
Não imaginava isso.

Dizem que quando se perde um membro do corpo, continua-se a sentir as sensações como se ainda estivesse ali. Comichão, coceira e até dor.

Não sei bem se há uma analogia nisso.

Mas o fim sem começo é como sentir o membro que ali nunca esteve, nunca fez parte do corpo.

E ainda assim falta. Dói. Coça.

É uma estranha sensação de nunca saber se esse membro seria útil, se funcionaria bem, se seria uma parte harmoniosa do corpo. Só sinto a sensação dele e falta.

O fim sem começo dói.
Já tentou ler o último capítulo de um livro sem nunca ter lido o livro inteiro? Clichê. Mas é um sentido parecido. Não faz sentido apenas.

Ou não existiu e mesmo assim fez sentido se tivesse lido o livro todo.

Nunca imaginei sentir essa tristeza, essa angústia de terminar o que nunca começou.

O fim sem começo dói.

É um natimorto. Não há conforto na ideia de que apenas  criamos uma barreira protetora entre nós e o que estaria por vir.
Que poderia ser bom e acabar e provocar dor.
Ou que poderia simplesmente ser muito ruim e acabar e provocar dor do mesmo jeito.

O fim sem começo provoca o mesmo efeito. Dói.

E depois de colocar fim ao começo sem start, apenas estou buscando conforto nessa zona que se tornou apenas respirar.
Não há conforto nenhum em se afogar.