Exercitando: Estigmas e Rótulos ( Marcia David Poeta)
Ao longo da vida podemos aprender muita coisa. Ou podemos não aprender nada. Considero até uma questão de escolha. E recentemente eu tive provas de que algumas pessoas realmente passam pela vida e nada aprendem.
Hoje quero falar sobre uma coisa boa que aprendi nas redações e pela vida. E tenho testemunhas. Algumas delas pessoas muito queridas, embora estejam distantes por caprichos do destino.
Aprendi a não confiar na opinião dos outros. Palpites, julgamentos, avaliações, estigmas e rótulos baseados na observação dos outros.
Nada disso me move ou me comove.
Aprendi a não confiar na opinião dos outros. Palpites, julgamentos, avaliações, estigmas e rótulos baseados na observação dos outros.
Nada disso me move ou me comove.
Meus olhos e todos os meus outros sentidos dão sentido a tudo. Das pessoas aos ambientes.
Eu escolhi aprender.
Um dia, recém-chegada numa redação, vi um rapaz muito carrancudo, sério, calado. Não demorou muito pra que alguém chegasse perto de mim para dar o alerta: "ele é mal humorado, bravo, grosso... cuidado com ele".
Eu escolhi aprender.
Um dia, recém-chegada numa redação, vi um rapaz muito carrancudo, sério, calado. Não demorou muito pra que alguém chegasse perto de mim para dar o alerta: "ele é mal humorado, bravo, grosso... cuidado com ele".
Alguns dias depois nos cruzamos na calçada (eu e o " mal humorado"), do lado de fora da emissora, único lugar permitido aos fumantes (sim, eu já fumei e me arrependo). Ele estava ao telefone e discutia com alguém enquanto tragava.
Logo assim que cheguei, ele desligou o celular e eu, em tom de brincadeira, perguntei: "tem problema se eu fumar aqui perto de você?".
Ele riu. E desse sorriso nasceu a amizade. E com a convivência entendi que ele não era nada daquilo que falavam. Uma figura de um senso de humor inigualável. Inteligente, culto, educado, generoso e do bem. O "Monstro", se estiver lendo, vai saber que falo dele.
Ele riu. E desse sorriso nasceu a amizade. E com a convivência entendi que ele não era nada daquilo que falavam. Uma figura de um senso de humor inigualável. Inteligente, culto, educado, generoso e do bem. O "Monstro", se estiver lendo, vai saber que falo dele.
E assim tem sido pela vida.
Eu também já fui alvo desses julgamentos, avaliações, estigmas e rótulos baseados na observação dos outros. Outros que talvez tenham recebido de mim o equivalente e proporcional à forma como me trataram. Ou trataram a quem amo (sim, eu sou dessas). Tenho os meus cinco minutos de surto como qualquer ser humano. Não sou santa. E nem digo que sou. E nem me comporto como se fosse. Eu sou isso. Exatamente assim. Cometo erros como todos os seres aqui encarnados. Se fosse perfeita não estaria aqui. Segundo minha crença, estaria de mãos dadas com Jesus, etérea, em plano espiritual elevadíssimo.
Compreendo que julgar sem conhecer é leviano. E pior, acreditar no julgamento de outras pessoas e repetir tal sentença é ainda mais vil. E usar isso para semear a discórdia na vida de quem só quer viver em paz, é cruel. Não é papel de quem quer o bem. Considero hipocrisia apontar, julgar e condenar com base em atitudes que alguém até teve com outras pessoas, sem saber o que essas pessoas fizeram àquele alguém que está sendo julgado.
Aprendi na faculdade e levo isso para a vida toda. Ouço os dois lados da história. As várias versões. Não julgo. Relato o que vi e somente isso.
Acredite: um julgamento errado, um dedo apontado, um estigma alardeado levianamente sem conhecimento da causa, pode destruir a vida de uma pessoa.
Por isso, um conselho: não repita por aí as sentenças dos outro, as opiniões sobre coisas, lugares e principalmente sobre pessoas que você não conhece, não convive. Não sabe nada de suas lutas, suas dores, sua caminhada, suas lágrimas e seus sorrisos.
E por essas pessoas que não aprenderam nada na vida nesses anos todos, EU REZO.