Olho
pela janela e tudo me assusta. E não sou de me impressionar com o novo. É
que algumas das novidades são incompreensíveis. Muitas até inaceitáveis
quando conseguimos entender do que tratam.
Dois amores, relações sem compromisso. Cada um na sua. E depois? A amizade continua? Será?
Existe um jeito novo e individualista de viver "a dois". Eu sigo nessa estrada e você naquela outra? Me diga se em direções contrárias ou caminhos paralelos, que nunca se cruzam, nos encontraremos algum dia?
Tempos modernos que nos transformaram em aplicativos em contínua
atualização. Aprimoramos nossas habilidades tecnológicas, principalmente
de comunicação à distância. Em tempo real. Cada um no seu quadrado com
seus teclados virtuais.
Quando sobrar um tempo nos encontraremos.
Não vou cozinhar pra você. Nem acender velas para o jantar. Vamos à
"vibe" da moda. Eu com meu smartphone, você com seu tablet. Conectados
com a atualidade. Desatualizados de nossos sentimentos desconectados.
E quando o tempo passar será que nos reconheceremos em nossos rostos esquálidos?
Teremos guardados em HDs as memórias de tudo que nunca vivemos?
Eu não sou saudosista. Mas confesso que sinto falta de café na cama,
flores na minha porta, massagem nos pés e sexo quente no fim do dia. De
manhã suas pernas pesando no meu corpo e preguiça de sair da cama e te
deixar ali deitada. Com o cansaço da madrugada sorrindo em teu sono
tranquilo.
Não é nostalgia querer saber sua cor preferida, a música
que te acalma, a que te faz dançar e ainda aquela que você insiste em
cantar lindamente desafinada no chuveiro.
Não acho fora de moda querer saber onde tocar sutilmente pra te fazer arrepiar.
Saber a cor dos seus olhos. Que cheiro tem seu hálito ao amanhecer.
O que você gosta de ler. Querer te mostrar minha coleção de livros de poesia.
A nova decoração do quarto. Te pedir ajuda na escolha das cortinas.
Que mal há em estar sempre perto? Um olhar de vez em quando.
Cumplicidade no sorrir, um esbarrar distraído nas suas costas. Seus
dedos deslizando nas minhas pernas. Respiro fundo. E nos afundamos nas
cobertas. Noite de frio. Eu no seu ombro, você me aperta. Eu durmo, você
dorme. Sonhamos o mesmo sonho. E amanhã vamos realizar.
Num mundo real. Mega Humano. Cheio de Giga Amor.